Weird Sea Monsters Monstros Lendários

Monstros marinhos

Monstros marinhos mais conhecidos das tradições mundiais

As criaturas do mar que atravessaram tradições, línguas e séculos até se tornarem referência comum.

12 posições Publicado em 11 de fevereiro de 2026 Revisado em 8 de setembro de 2026

Este ranking reúne as criaturas marinhas com maior circulação documentada entre tradições diferentes. O critério não é notoriedade atual em produtos de entretenimento, mas presença comprovada em fontes escritas, iconográficas e orais registradas, somada ao alcance geográfico das variantes.

O resultado contraria algumas expectativas. Criaturas muito populares hoje aparecem em posições intermediárias porque seu registro textual é recente, enquanto figuras menos citadas no cotidiano ocupam posições altas por terem documentação antiga e difusão ampla. Essa é justamente a função de uma metodologia declarada: permitir que o leitor veja onde discorda.

Pesos deste ranking

Relevância cultural
30%
Influência histórica
20%
Alcance geográfico
20%
Antiguidade dos registros
15%
Presença nas narrativas
15%

A relevância cultural e o alcance geográfico recebem os pesos maiores porque o recorte é justamente o de difusão. A antiguidade dos registros entra com peso menor do que nos rankings históricos deste site, para não penalizar excessivamente tradições de documentação escrita tardia.

Como as notas são calculadas

Leitura das notas: As notas são avaliações editoriais comparativas sobre a documentação disponível. Não são medições, não expressam tamanho, idade, força ou perigo, e não devem ser lidas como dados científicos.

As 12 posições

A ordem resulta das notas ponderadas. Em caso de empate, a posição mais alta fica com a criatura de registro mais antigo.

1º lugar: Sirenes

Também grafado Seirenes e sereias gregas

Greco-romana MarítimoAéreo Séc. VIII a.C.

Cantoras insulares que atraem navegantes à morte pelo canto; na tradição grega são figuras com corpo de ave, não de peixe.

Motivo da colocação

Nenhuma outra criatura marinha gerou uma linhagem tão longa: da cantora-ave homérica à sereia medieval e daí a praticamente toda tradição popular europeia e americana. Antiguidade, influência e alcance combinam-se sem ponto fraco.

Origem e documentação

A confusão moderna entre sirene e mulher-peixe é medieval, não grega. A iconografia antiga as representa como aves de cabeça e busto femininos, frequentemente em contexto funerário.

Narrativa principal

Circe adverte Odisseu sobre a ilha onde o canto imobiliza quem escuta. Ele tampa os ouvidos da tripulação com cera e se faz amarrar ao mastro, atravessando a rota para ouvir sem sucumbir. Na versão dos Argonautas, Orfeu neutraliza o canto tocando mais alto.

Variantes e divergências entre fontes

  • O número varia entre duas, três e mais, com nomes divergentes nas fontes.
  • Autores antigos situam a ilha em pontos diferentes do Tirreno.
  • A forma de mulher-peixe consolida-se apenas em bestiários e iconografia medievais.

Recepção posterior

A fusão medieval entre a sirene-ave grega e figuras aquáticas produziu a sereia moderna, hoje presente em quase todas as tradições populares europeias.

Fontes desta posição

  • Homero, Odisseia, tradução de Trajano Vieira, Editora 34, 2011. Composição atribuída ao século VIII a.C..
  • Apolônio de Rodes, Argonáuticas, Argonautica, tradução de William H. Race, Loeb Classical Library, Harvard University Press, 2008. Século III a.C..
  • Anônimo, Physiologus, tradução de Michael J. Curley, University of Chicago Press, 1979. Alexandria, séc. II–IV d.C..
  • Timothy Gantz, Early Greek Myth: A Guide to Literary and Artistic Sources, Johns Hopkins University Press, 1993.

2º lugar: Leviatã

Também grafado Liwyatan

Levantina Marítimo I milênio a.C.

Grande criatura marinha da poesia hebraica, imagem do caso extremo do incontrolável e do caos submetido à divindade.

Motivo da colocação

Poucas menções nas fontes originais, mas presença em três tradições religiosas de alcance mundial e apropriação posterior pela filosofia política. Perde pontos apenas em presença narrativa, já que não protagoniza episódios.

Origem e documentação

Aparece em passagens poéticas do corpus hebraico e tem paralelos claros no repertório ugarítico, em que uma serpente marinha de vários nomes é combatida por divindades. Os estudos bíblicos tratam essas correspondências como evidência de um fundo cananeu comum.

Narrativa principal

No livro de Jó, a criatura é descrita em longa passagem que enfatiza a impossibilidade de capturá-la ou domá-la, argumento usado para demarcar o limite do poder humano. Em Isaías e nos Salmos, aparece em contexto de vitória divina sobre o mar. O registro é poético do início ao fim, e assim deve ser lido.

Variantes e divergências entre fontes

  • Interpretações judaicas posteriores desenvolvem tradições sobre um banquete final envolvendo a criatura.
  • Traduções antigas e modernas divergem ao verter o termo, o que gerou identificações diversas.
  • Textos ugaríticos apresentam figura equivalente com outro nome.

Recepção posterior

O nome foi adotado na filosofia política moderna como título e metáfora de Estado soberano, o que ampliou enormemente sua circulação fora do contexto religioso.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Livro de Jó, Bíblia de Jerusalém, Paulus, 2002. Texto hebraico de datação discutida.
  • Anônimo, Livro de Isaías, Bíblia de Jerusalém, Paulus, 2002. Corpus profético hebraico.
  • Simon B. Parker (ed.), Ugaritic Narrative Poetry, Society of Biblical Literature, 1997. Tábuas de Ugarit, II milênio a.C..

3º lugar: Cila

Também grafado Skylla e Scylla

Greco-romana Marítimo Séc. VIII a.C.

Criatura marinha de muitas cabeças caninas descrita na Odisseia como guardiã de um lado de estreito, oposta a um redemoinho devorador.

Motivo da colocação

Tem episódio narrativo completo em uma das obras mais lidas da história e deu origem a uma expressão idiomática presente em várias línguas. O alcance geográfico é mediterrâneo, o que limita a nota nesse critério.

Origem e documentação

Aparece pela primeira vez na Odisseia, associada a um estreito de navegação difícil que a Antiguidade tardia identificou com Messina. Fontes posteriores lhe dão genealogias divergentes.

Narrativa principal

No canto XII da Odisseia, Circe adverte que a rota obriga a escolher entre dois perigos: passar perto de Cila e perder alguns tripulantes, ou arriscar a nau inteira no redemoinho vizinho. Odisseu escolhe o primeiro e perde seis companheiros. A cena consolidou-se como imagem do dilema sem saída boa.

Variantes e divergências entre fontes

  • Ovídio, nas Metamorfoses, narra uma versão em que Cila era uma jovem transformada por feitiço, leitura ausente em Homero.
  • Autores tardios multiplicam o número de cabeças e cães, sem consenso entre as fontes.
  • A identificação geográfica com o estreito de Messina é interpretação antiga, não dado do texto homérico.

Recepção posterior

A expressão "entre Cila e Caríbdis" entrou nas línguas europeias como fórmula para a escolha entre dois males.

Fontes desta posição

  • Homero, Odisseia, tradução de Trajano Vieira, Editora 34, 2011. Composição atribuída ao século VIII a.C..
  • Ovídio, Metamorfoses, tradução de Domingos Lucas Dias, Editora 34, 2017. Concluída por volta do ano 8 d.C..
  • Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, The Library of Greek Mythology, tradução de Robin Hard, Oxford World’s Classics, 1997. Compilação de época imperial romana.
  • Timothy Gantz, Early Greek Myth: A Guide to Literary and Artistic Sources, Johns Hopkins University Press, 1993.

4º lugar: Tiamat

Também grafado Tiāmat

Mesopotâmica Marítimo II milênio a.C.

Personificação das águas salgadas primordiais no poema babilônico da criação, vencida por Marduk em combate que origina o mundo organizado.

Motivo da colocação

O combate contra o mar primordial mais antigo de que há registro escrito completo, com influência rastreável sobre textos ugaríticos e hebraicos. A difusão geográfica original, porém, é restrita à Mesopotâmia.

Origem e documentação

Figura central do Enuma Elish, recitado ritualmente na Babilônia. Representa o mar primordial anterior a qualquer ordem, e sua derrota funda a ordem cósmica e legitima a supremacia de Marduk.

Narrativa principal

Depois da morte de seu consorte, Tiamat prepara um exército de criaturas monstruosas e escolhe Kingu como comandante. Marduk aceita o desafio em troca da soberania entre os deuses, aprisiona-a em uma rede de ventos, dispara-lhe uma flecha e a divide, formando com as partes o céu e a terra. O relato é o mais antigo grande combate contra criatura aquática de que há registro escrito completo.

Variantes e divergências entre fontes

  • Versões e cópias do poema apresentam diferenças na lista das criaturas que ela cria.
  • A leitura da figura como dragão é interpretação posterior; o texto a descreve de forma mais ambígua.

Recepção posterior

Serviu de base para estudos comparados sobre combates contra serpentes marinhas em textos ugaríticos e hebraicos.

Fontes desta posição

  • Stephanie Dalley (ed.), Myths from Mesopotamia, Oxford World’s Classics, Oxford University Press, 2000. Inclui Enuma Elish, Atrahasis e Anzu.
  • Jeremy Black e Anthony Green, Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia, British Museum Press, 1992.
  • The British Museum, Collection online, acervo digital, consulta contínua. Acervo
  • Musée du Louvre, Collections, acervo digital, consulta contínua. Acervo

5º lugar: Jörmungandr

Também grafado Serpente de Midgard e Miðgarðsormr

Nórdica Marítimo Séc. XIII (registro)

Serpente marinha que, na cosmologia nórdica, envolve o mundo habitado mordendo a própria cauda e está destinada a enfrentar Thor no fim dos tempos.

Motivo da colocação

Serpente com função cosmológica e dois episódios narrativos fortes, além de possível atestação em escultura medieval. A nota de antiguidade reflete o registro escrito do século XIII, não a idade provável da tradição oral.

Origem e documentação

Filha de Loki segundo as Eddas, é lançada ao mar pelos deuses e cresce até circundar a terra. A imagem da serpente que morde a própria cauda no oceano circundante é um dos elementos estruturais da cosmologia nórdica registrada.

Narrativa principal

Duas cenas a definem. Na pescaria de Thor, o deus a fisga com cabeça de boi e quase a traz à superfície, sendo interrompido pelo gigante Hymir. No Ragnarök, os dois se enfrentam diretamente: Thor a mata e morre em seguida pelo veneno. Há também o episódio em que Thor, sem saber, tenta erguer a serpente disfarçada de gato.

Variantes e divergências entre fontes

  • A Edda em Prosa e a Edda Poética divergem em detalhes da pescaria de Thor.
  • Pedras rúnicas e esculturas medievais do norte europeu foram interpretadas como representações dessa pescaria.

Recepção posterior

É provavelmente a serpente marinha mais reconhecível da mitologia europeia fora do repertório greco-romano.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

6º lugar: Kraken

Também grafado krake

Nórdica Marítimo Séc. XVIII (nome)

Criatura marinha colossal do imaginário escandinavo, descrita em relatos setecentistas como massa capaz de ser confundida com uma ilha.

Motivo da colocação

É hoje o nome mais usado no mundo para designar um monstro do mar, mas o termo só se firma na bibliografia do século XVIII. A antiguidade documental baixa é o que o separa das primeiras posições.

Origem e documentação

O nome se firma na literatura no século XVIII, com a história natural do bispo Erik Pontoppidan, que compilou relatos de pescadores noruegueses. Antes disso, criaturas com traços semelhantes aparecem sob outros nomes em textos nórdicos medievais.

Narrativa principal

Os relatos compilados descrevem um corpo tão vasto que navegantes o tomariam por terra firme, ancorando sobre ele até que submergisse. Outro elemento recorrente é a abundância de peixes sobre a criatura, que atrairia embarcações. A obra de Pontoppidan tratava esses relatos como história natural, e é nessa condição que a figura interessa hoje: como documento de como o Atlântico Norte era imaginado.

Variantes e divergências entre fontes

  • A forma de cefalópode gigante é consolidação do século XIX, não das fontes escandinavas iniciais.
  • Alguns autores setecentistas o descrevem antes como criatura semelhante a caranguejo ou estrela-do-mar.
  • Textos nórdicos medievais descrevem criaturas comparáveis com nomes distintos, sem usar este termo.

Recepção posterior

Tornou-se o monstro marinho mais citado da cultura ocidental moderna e nome de uso corrente para qualquer criatura colossal do mar.

Fontes desta posição

  • Erik Pontoppidan, Det første Forsøg paa Norges naturlige Historie, Copenhague, 1752–1753. História natural setecentista; compila relatos orais.
  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.

7º lugar: Caríbdis

Também grafado Kharybdis

Greco-romana Marítimo Séc. VIII a.C.

Sorvedouro personificado que, nas fontes gregas, engole e devolve a água do mar em ciclos, ameaçando tragar embarcações inteiras.

Motivo da colocação

Compartilha a antiguidade e a fama do episódio homérico, mas tem menos elaboração própria: é um fenômeno personificado, sem biografia mítica nem iconografia comparável à da criatura vizinha.

Origem e documentação

Descrita na Odisseia como contraparte de Cila no mesmo estreito. Diferentemente de outras criaturas gregas, quase não tem biografia mítica: é essencialmente um fenômeno marinho personificado.

Narrativa principal

Homero descreve o ciclo de sucção e expulsão de água como armadilha impossível de enfrentar de frente. Na segunda passagem de Odisseu pelo estreito, já sem navio, o herói se agarra a uma figueira sobre o sorvedouro e espera que os destroços de sua embarcação sejam devolvidos à superfície.

Variantes e divergências entre fontes

  • Algumas fontes tardias a apresentam como filha de divindades marinhas punida com essa forma.
  • Autores antigos divergem sobre se o ciclo ocorria duas ou três vezes ao dia.

Fontes desta posição

  • Homero, Odisseia, tradução de Trajano Vieira, Editora 34, 2011. Composição atribuída ao século VIII a.C..
  • Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, The Library of Greek Mythology, tradução de Robin Hard, Oxford World’s Classics, 1997. Compilação de época imperial romana.
  • Timothy Gantz, Early Greek Myth: A Guide to Literary and Artistic Sources, Johns Hopkins University Press, 1993.

8º lugar: Cetos

Também grafado Ketos e cetus

Greco-romana Marítimo Séc. VIII a.C.

Termo grego para grande besta marinha enviada como castigo divino, presente nos episódios de Andrômeda e de Hesíone.

Motivo da colocação

Aparece em dois episódios clássicos de sacrifício interrompido e tem iconografia antiga abundante, mas é uma categoria mais do que um indivíduo, o que dilui sua identidade cultural própria.

Origem e documentação

A palavra designa em grego tanto grandes animais do mar quanto criaturas monstruosas, ambiguidade que atravessa toda a tradição posterior. A iconografia lhe dá forma serpentina com cabeça canina e nadadeiras.

Narrativa principal

Em duas narrativas paralelas, uma cidade costeira precisa entregar uma jovem à criatura enviada por divindade ofendida: Andrômeda na Etiópia, salva por Perseu, e Hesíone em Troia, salva por Héracles. O esquema de sacrifício ritual interrompido por herói reaparece em várias tradições mediterrâneas.

Variantes e divergências entre fontes

  • Fontes latinas traduzem o termo por cetus, alimentando a confusão posterior com baleias.
  • Héracles, em certas versões, é engolido e combate a criatura por dentro.
  • A iconografia varia amplamente: há representações caninas, serpentiformes e mistas.

Recepção posterior

O vocabulário latino derivado dessa palavra acabou aplicado à classificação zoológica dos cetáceos, reforçando a ambiguidade entre criatura lendária e animal.

Fontes desta posição

  • Homero, Ilíada, tradução de Frederico Lourenço, Penguin-Companhia, 2013. Composição atribuída ao século VIII a.C..
  • Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, The Library of Greek Mythology, tradução de Robin Hard, Oxford World’s Classics, 1997. Compilação de época imperial romana.
  • Ovídio, Metamorfoses, tradução de Domingos Lucas Dias, Editora 34, 2017. Concluída por volta do ano 8 d.C..
  • Daniel Ogden, Drakōn: Dragon Myth and Serpent Cult in the Greek and Roman Worlds, Oxford University Press, 2013.
  • The Metropolitan Museum of Art, The Met Collection (Open Access), acervo digital, consulta contínua. Acervo

9º lugar: Serpente marinha da Carta Marina

Também grafado serpente do mar da Noruega e sea orm

Europeia medieval Marítimo Séc. XVI

Serpente enorme representada na cartografia de Olaus Magnus enrolando-se em torno de um navio, imagem fundadora do monstro marinho renascentista.

Motivo da colocação

A influência histórica é alta e mensurável: definiu o modelo visual do monstro marinho europeu por mais de dois séculos, copiado de tratado em tratado. A antiguidade e a narrativa são modestas.

Origem e documentação

Olaus Magnus, clérigo sueco exilado em Roma, publicou em 1539 um grande mapa do norte europeu povoado de criaturas marinhas e, em 1555, uma obra que as descreve em texto. Sua fonte declarada são relatos de pescadores e navegantes escandinavos.

Narrativa principal

O texto descreve uma serpente que surgiria diante da costa norueguesa em determinadas condições, atacando embarcações e sendo interpretada como presságio de mudanças políticas. A imagem da criatura enlaçando um navio foi copiada por cartógrafos e naturalistas por mais de dois séculos, tornando-se o modelo visual dominante do monstro marinho europeu.

Variantes e divergências entre fontes

  • Gessner e Aldrovandi reproduzem a figura com alterações, ampliando sua circulação.
  • A bibliografia recente identifica quais criaturas do mapa derivam de textos anteriores e quais parecem invenção do autor.

Recepção posterior

A Carta Marina é hoje objeto de estudo acadêmico dedicado, com bibliografia que rastreia criatura por criatura.

Fontes desta posição

  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.
  • Uppsala universitetsbibliotek, Coleções de cartografia histórica, acervo institucional, consulta contínua. Acervo

10º lugar: Hafgufa

Também grafado névoa do mar

Nórdica Marítimo Séc. XIII

Criatura marinha descrita no tratado norueguês Konungs skuggsjá como a maior de todas, cuja boca aberta seria tomada por estreito entre ilhas.

Motivo da colocação

Registro medieval explícito e valioso, em tratado norueguês do século XIII, mas com circulação restrita ao Atlântico Norte e sem o desenvolvimento cultural que outras criaturas da mesma região tiveram.

Origem e documentação

O Konungs skuggsjá, escrito por volta de 1250 como manual de instrução para a corte norueguesa, descreve as criaturas dos mares da Groenlândia em registro informativo. É uma das fontes medievais mais antigas e explícitas sobre monstros marinhos do Atlântico Norte.

Narrativa principal

O texto relata que a criatura permanece imóvel com a boca aberta, exalando um odor que atrai peixes em grande quantidade; quando a boca está cheia, fecha-se. Também afirma que existiriam apenas duas e que não se reproduziriam, o que o autor apresenta como explicação para a segurança da navegação.

Variantes e divergências entre fontes

  • Parte da bibliografia recente aproxima essa descrição do comportamento de alimentação de baleias, discussão que pertence à história natural, não à mitologia.
  • A criatura é às vezes tratada como precursora textual do kraken.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.

11º lugar: Umibōzu

Também grafado monge do mar japonês

Japonesa Marítimo Séc. XVII – XIX

Criatura marinha japonesa que emerge subitamente em mar calmo como enorme figura escura de cabeça arredondada, afundando embarcações.

Motivo da colocação

Presença forte e bem documentada nas comunidades pesqueiras japonesas, com motivo narrativo próprio muito estável, mas alcance geográfico limitado ao arquipélago e registro de época relativamente recente.

Origem e documentação

Documentada em relatos e catálogos ilustrados do período Edo, com forte circulação entre comunidades pesqueiras. O nome remete à cabeça raspada dos monges, comparação usada para descrever sua silhueta lisa.

Narrativa principal

Os relatos descrevem noites de mar tranquilo em que a criatura surge sem aviso e pede um objeto — frequentemente um barril — aos tripulantes; entregá-lo intacto significa afundar, e a solução narrada é oferecer um barril sem fundo. O motivo do pedido armadilhado é o traço mais constante da tradição.

Variantes e divergências entre fontes

  • O tamanho e a forma variam muito entre relatos regionais.
  • Algumas versões associam a criatura a náufragos.
  • Há variantes em que surge acompanhada de chuva ou de mudança brusca do tempo.

Fontes desta posição

  • Michael Dylan Foster, The Book of Yōkai: Mysterious Creatures of Japanese Folklore, University of California Press, 2015.
  • Toriyama Sekien, Gazu Hyakki Yagyō, Edo; exemplares em acervos japoneses e norte-americanos, 1776.

12º lugar: Ipupiara

Também grafado Igpupiara, Hipupiará e homem marinho

Brasileira MarítimoÁguas interiores Séc. XVI

Criatura das águas registrada em relatos coloniais brasileiros do século XVI, descrita como habitante de foz de rios e enseadas que atacaria pessoas na água.

Motivo da colocação

Tem o mérito raro de registro escrito do século XVI por cronistas identificados, o que lhe dá antiguidade documental respeitável no contexto americano, mas sua circulação permaneceu regional.

Origem e documentação

É a criatura aquática brasileira com registro escrito mais antigo: aparece em cartas de José de Anchieta e na crônica de Pero de Magalhães Gândavo, que a apresenta como "monstro marinho" da capitania da Bahia. O nome vem do tupi e foi grafado de várias formas pelos cronistas.

Narrativa principal

Os relatos coloniais descrevem encontros em praias e barras de rio, com a criatura atacando quem estivesse na água. Gândavo narra um episódio ocorrido na Bahia com detalhes de local e testemunho, no estilo das crônicas do período. Esses textos combinam informação indígena, interpretação europeia de monstro marinho e interesse administrativo pela terra — não devem ser lidos como descrição zoológica.

Variantes e divergências entre fontes

  • A grafia varia entre os cronistas: Igpupiara, Ipupiara, Hipupiará.
  • Parte das tradições posteriores aproxima a figura da Iara, com deslocamento do caráter agressivo para o de encantamento.
  • Há variantes que a situam em rios do interior, não no litoral.

Recepção posterior

É peça central para entender como o imaginário marítimo europeu do século XVI se combinou a tradições indígenas na documentação sobre o Brasil.

Fontes desta posição

  • Pero de Magalhães Gândavo, Tratado da Terra do Brasil / História da Província Santa Cruz, Lisboa; edições fac-similares brasileiras, 1576.
  • José de Anchieta, Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões, edições da Academia Brasileira de Letras e da Itatiaia, séc. XVI.
  • Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, Global Editora, 1954 (1ª ed.).
  • Luís da Câmara Cascudo, Geografia dos Mitos Brasileiros, Global Editora, 1947 (1ª ed.).
  • Biblioteca Nacional (Brasil), Biblioteca Nacional Digital, acervo digital, consulta contínua. Acervo
Quadro comparativo

Todas as notas em uma tabela

A mesma informação das posições acima, reunida para leitura rápida. A última coluna é a média ponderada pelos pesos declarados.

Notas por critério de cada posição do ranking
# Criatura Relevância Influência Alcance Antiguidade Narrativas Índice
Sirenes 10,0 9,5 9,0 9,5 8,5 94,0
Leviatã 9,5 9,5 9,5 9,0 6,0 89,0
Cila 9,0 8,5 7,5 9,5 9,0 86,8
Tiamat 9,0 9,0 6,5 10,0 8,5 85,8
Jörmungandr 9,5 9,0 7,0 7,0 9,0 84,5
Kraken 9,5 9,0 9,0 5,0 7,0 82,5
Caríbdis 8,0 8,0 7,0 9,5 7,5 79,5
Cetos 7,0 8,0 6,5 9,5 8,0 76,3
Serpente marinha da Carta Marina 7,5 9,5 7,0 6,0 6,0 73,5
10º Hafgufa 5,5 7,0 4,5 7,0 5,0 57,5
11º Umibōzu 7,0 5,5 4,0 5,0 6,5 57,3
12º Ipupiara 6,0 5,0 3,5 6,5 5,5 53,0
Bibliografia

Fontes citadas neste ranking

Reunião de todas as obras indicadas nas posições acima. A lista completa do acervo está em fontes.

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Anônimo, Livro de Isaías, Bíblia de Jerusalém, Paulus, 2002. Corpus profético hebraico.
  • Anônimo, Livro de Jó, Bíblia de Jerusalém, Paulus, 2002. Texto hebraico de datação discutida.
  • Anônimo, Physiologus, tradução de Michael J. Curley, University of Chicago Press, 1979. Alexandria, séc. II–IV d.C..
  • Apolônio de Rodes, Argonáuticas, Argonautica, tradução de William H. Race, Loeb Classical Library, Harvard University Press, 2008. Século III a.C..
  • Biblioteca Nacional (Brasil), Biblioteca Nacional Digital, acervo digital, consulta contínua. Acervo
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.
  • Daniel Ogden, Drakōn: Dragon Myth and Serpent Cult in the Greek and Roman Worlds, Oxford University Press, 2013.
  • Erik Pontoppidan, Det første Forsøg paa Norges naturlige Historie, Copenhague, 1752–1753. História natural setecentista; compila relatos orais.
  • Homero, Ilíada, tradução de Frederico Lourenço, Penguin-Companhia, 2013. Composição atribuída ao século VIII a.C..
  • Homero, Odisseia, tradução de Trajano Vieira, Editora 34, 2011. Composição atribuída ao século VIII a.C..
  • Jeremy Black e Anthony Green, Gods, Demons and Symbols of Ancient Mesopotamia, British Museum Press, 1992.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • José de Anchieta, Cartas, informações, fragmentos históricos e sermões, edições da Academia Brasileira de Letras e da Itatiaia, séc. XVI.
  • Luís da Câmara Cascudo, Dicionário do Folclore Brasileiro, Global Editora, 1954 (1ª ed.).
  • Luís da Câmara Cascudo, Geografia dos Mitos Brasileiros, Global Editora, 1947 (1ª ed.).
  • Michael Dylan Foster, The Book of Yōkai: Mysterious Creatures of Japanese Folklore, University of California Press, 2015.
  • Musée du Louvre, Collections, acervo digital, consulta contínua. Acervo
  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Ovídio, Metamorfoses, tradução de Domingos Lucas Dias, Editora 34, 2017. Concluída por volta do ano 8 d.C..
  • Pero de Magalhães Gândavo, Tratado da Terra do Brasil / História da Província Santa Cruz, Lisboa; edições fac-similares brasileiras, 1576.
  • Pseudo-Apolodoro, Biblioteca, The Library of Greek Mythology, tradução de Robin Hard, Oxford World’s Classics, 1997. Compilação de época imperial romana.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • Simon B. Parker (ed.), Ugaritic Narrative Poetry, Society of Biblical Literature, 1997. Tábuas de Ugarit, II milênio a.C..
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • Stephanie Dalley (ed.), Myths from Mesopotamia, Oxford World’s Classics, Oxford University Press, 2000. Inclui Enuma Elish, Atrahasis e Anzu.
  • The British Museum, Collection online, acervo digital, consulta contínua. Acervo
  • The Metropolitan Museum of Art, The Met Collection (Open Access), acervo digital, consulta contínua. Acervo
  • Timothy Gantz, Early Greek Myth: A Guide to Literary and Artistic Sources, Johns Hopkins University Press, 1993.
  • Toriyama Sekien, Gazu Hyakki Yagyō, Edo; exemplares em acervos japoneses e norte-americanos, 1776.
  • Uppsala universitetsbibliotek, Coleções de cartografia histórica, acervo institucional, consulta contínua. Acervo
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