Weird Sea Monsters Monstros Lendários

Tradições mitológicas

Monstros da mitologia nórdica

Criaturas que chegaram até nós por dois manuscritos islandeses do século XIII e por um conjunto de sagas e tratados.

12 posições Publicado em 25 de fevereiro de 2026 Revisado em 6 de setembro de 2026

A mitologia nórdica é conhecida sobretudo por dois textos islandeses do século XIII, a Edda Poética e a Edda em Prosa, ambos escritos por cristãos sobre uma religião que já não praticavam. Essa distância impõe cautela e é considerada na avaliação.

Ao lado das Eddas estão as sagas, a Gesta Danorum e tratados como o Konungs skuggsjá norueguês, que trata das criaturas do mar em registro didático. É desse conjunto que sai a linhagem de monstros marinhos que atravessaria a cartografia renascentista.

Pesos deste ranking

Relevância cultural
25%
Presença nas narrativas
25%
Influência histórica
20%
Antiguidade dos registros
20%
Alcance geográfico
10%

A antiguidade é avaliada pela data do registro escrito, não pela idade estimada da tradição oral — critério conservador, mas verificável. Quando há atestação iconográfica anterior, como em pedras pictóricas, isso é considerado na nota.

Como as notas são calculadas

Leitura das notas: As notas são avaliações editoriais comparativas sobre a documentação disponível. Não são medições, não expressam tamanho, idade, força ou perigo, e não devem ser lidas como dados científicos.

As 12 posições

A ordem resulta das notas ponderadas. Em caso de empate, a posição mais alta fica com a criatura de registro mais antigo.

1º lugar: Jörmungandr

Também grafado Serpente de Midgard e Miðgarðsormr

Nórdica Marítimo Séc. XIII (registro)

Serpente marinha que, na cosmologia nórdica, envolve o mundo habitado mordendo a própria cauda e está destinada a enfrentar Thor no fim dos tempos.

Motivo da colocação

Função cosmológica central, dois episódios narrativos fortes e provável atestação em escultura medieval. Provavelmente a serpente marinha mais reconhecível da Europa fora do repertório grego.

Origem e documentação

Filha de Loki segundo as Eddas, é lançada ao mar pelos deuses e cresce até circundar a terra. A imagem da serpente que morde a própria cauda no oceano circundante é um dos elementos estruturais da cosmologia nórdica registrada.

Narrativa principal

Duas cenas a definem. Na pescaria de Thor, o deus a fisga com cabeça de boi e quase a traz à superfície, sendo interrompido pelo gigante Hymir. No Ragnarök, os dois se enfrentam diretamente: Thor a mata e morre em seguida pelo veneno. Há também o episódio em que Thor, sem saber, tenta erguer a serpente disfarçada de gato.

Variantes e divergências entre fontes

  • A Edda em Prosa e a Edda Poética divergem em detalhes da pescaria de Thor.
  • Pedras rúnicas e esculturas medievais do norte europeu foram interpretadas como representações dessa pescaria.

Recepção posterior

É provavelmente a serpente marinha mais reconhecível da mitologia europeia fora do repertório greco-romano.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

2º lugar: Fenrir

Também grafado Fenrisúlfr e lobo Fenris

Nórdica Terrestre Séc. XIII (registro)

Lobo monstruoso mantido acorrentado pelos deuses nórdicos até o Ragnarök, quando se solta e mata Odin.

Motivo da colocação

A narrativa de contenção é uma das raras em que as fontes nórdicas expõem o custo moral de uma vitória divina, com Týr perdendo a mão como preço do engano.

Origem e documentação

Filho de Loki, criado entre os deuses até que seu crescimento se torna ameaça. A narrativa de sua contenção é um dos raros casos em que as fontes nórdicas detalham o custo moral de uma vitória divina.

Narrativa principal

Os deuses o enganam propondo que teste sua força contra correntes cada vez mais fortes. Ele aceita a última, feita por artesãos subterrâneos, somente se um deles puser a mão em sua boca como garantia. Týr aceita e perde a mão quando a armadilha se fecha. No Ragnarök, o lobo se liberta e devora Odin, sendo morto por Vídar.

Variantes e divergências entre fontes

  • As fontes variam ao relacioná-lo aos lobos que perseguem o sol e a lua.
  • Há divergência sobre a identificação entre Fenrir e o lobo Garmr.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

3º lugar: Grendel

Nórdica TerrestreÁguas interiores Séc. X – XI (manuscrito)

Criatura que ataca por treze anos o salão real de Heorot, no poema anglo-saxão Beowulf, e é vencida sem armas.

Motivo da colocação

Registrada em um dos textos fundadores da literatura inglesa, com descrições deliberadamente vagas que geraram uma tradição interpretativa de séculos.

Origem e documentação

O poema, em inglês antigo, situa a ação na Escandinávia e apresenta a criatura como descendente de Caim, num enquadramento cristão explícito sobre matéria germânica pré-cristã.

Narrativa principal

A criatura invade o salão à noite e mata os guerreiros adormecidos, tornando Heorot inutilizável. Beowulf chega da terra dos gautas, espera desarmado e arranca-lhe o braço na luta corpo a corpo. A criatura foge para o pântano e morre; o braço é exposto no salão como prova.

Variantes e divergências entre fontes

  • As descrições físicas no poema são deliberadamente vagas, o que gerou tradição interpretativa extensa.
  • Traduções modernas divergem sobre termos-chave usados para descrevê-la.

Recepção posterior

O poema é um dos textos fundadores da literatura em língua inglesa, o que dá a essa criatura presença curricular e crítica excepcional.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Beowulf, tradução de Seamus Heaney, Faber & Faber, 1999. Manuscrito Nowell Codex, séc. X–XI.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • British Library, Digitised Manuscripts, acervo digital, consulta contínua. Acervo

4º lugar: Fáfnir

Também grafado Fafner

Nórdica Terrestre Séc. XIII (registro)

Figura que se transforma em serpente ou dragão para guardar um tesouro maldito e é morta por Sigurd.

Motivo da colocação

Portais de igrejas medievais na Noruega e na Suécia trazem cenas desse combate — caso notável de motivo pré-cristão preservado em arquitetura cristã.

Origem e documentação

Pertence ao ciclo heroico dos Volsungos, com paralelos na matéria germânica continental. Sua metamorfose por cobiça é um dos raros casos nórdicos em que o monstro tem origem explicitamente moral.

Narrativa principal

Depois de matar o pai para ficar com o ouro, transforma-se em criatura serpentina e passa a vigiar o tesouro numa charneca. Sigurd, aconselhado por Regin, cava uma vala no caminho da criatura e a fere por baixo. Ao provar o sangue, passa a entender a linguagem das aves — detalhe que redireciona toda a narrativa seguinte.

Variantes e divergências entre fontes

  • A Saga dos Volsungos e os poemas eddicos diferem em detalhes do combate e do diálogo final.
  • As tradições germânicas continentais dão outro nome e outro contexto ao mesmo episódio.

Recepção posterior

Portais de igrejas medievais na Noruega e na Suécia trazem cenas desse combate, exemplo notável de motivo pré-cristão em arquitetura cristã.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.

5º lugar: Jötnar

Também grafado gigantes nórdicos e thursar

Nórdica Terrestre Séc. XIII (registro)

Classe de seres poderosos que habitam as terras externas da cosmologia nórdica, em relação ora hostil, ora de aliança com os deuses.

Motivo da colocação

Categoria essencial e frequentemente mal traduzida: não são simplesmente gigantes, e as fontes mostram casamentos, disputas de sabedoria e alianças com os deuses.

Origem e documentação

Não são simplesmente monstros: as fontes mostram casamentos, disputas de sabedoria e alianças entre deuses e jötnar. A tradução usual por "gigantes" empobrece a categoria, que tem mais a ver com anterioridade e alteridade que com tamanho.

Narrativa principal

Vários episódios centrais dependem deles: a construção das muralhas de Ásgard, a recuperação do martelo de Thor, as visitas a Útgardr e os desafios de força e de bebida que Thor perde por meios ilusórios. O confronto final do Ragnarök opõe deuses e jötnar em campo aberto.

Variantes e divergências entre fontes

  • Os termos jötunn, thurs e troll se sobrepõem de modo inconsistente nas fontes.
  • Algumas figuras, como Skadi, transitam entre as duas famílias por casamento.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

6º lugar: Ymir

Também grafado Aurgelmir

Nórdica Terrestre Séc. XIII (registro)

Ser primordial de dimensão cósmica cujo corpo, segundo as fontes nórdicas, foi usado para formar o mundo.

Motivo da colocação

A cosmogonia nórdica é um ato de desmembramento: carne em terra, ossos em montanhas, crânio em céu. Poucas tradições explicitam tanto a matéria de que o mundo é feito.

Origem e documentação

Primeiro ser a existir no vazio, segundo as Eddas, anterior aos deuses. Narrativas de criação a partir do corpo de um ser primordial aparecem em outras tradições, e o caso nórdico é um dos melhores documentados.

Narrativa principal

Formado no encontro entre gelo e calor, Ymir gera os primeiros gigantes. Odin e seus irmãos o matam e usam seu corpo como matéria: a carne torna-se terra, os ossos montanhas, o sangue mares, o crânio o céu. A cosmogonia nórdica é, portanto, um ato de desmembramento.

Variantes e divergências entre fontes

  • Os poemas eddicos oferecem versões pouco coincidentes sobre sua origem e descendência.
  • Snorri sistematiza o relato de forma mais ordenada do que as fontes poéticas.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

7º lugar: Kraken

Também grafado krake

Nórdica Marítimo Séc. XVIII (nome)

Criatura marinha colossal do imaginário escandinavo, descrita em relatos setecentistas como massa capaz de ser confundida com uma ilha.

Motivo da colocação

O maior alcance cultural da tradição e a menor antiguidade documental entre suas criaturas principais, já que o nome só se firma na bibliografia do século XVIII.

Origem e documentação

O nome se firma na literatura no século XVIII, com a história natural do bispo Erik Pontoppidan, que compilou relatos de pescadores noruegueses. Antes disso, criaturas com traços semelhantes aparecem sob outros nomes em textos nórdicos medievais.

Narrativa principal

Os relatos compilados descrevem um corpo tão vasto que navegantes o tomariam por terra firme, ancorando sobre ele até que submergisse. Outro elemento recorrente é a abundância de peixes sobre a criatura, que atrairia embarcações. A obra de Pontoppidan tratava esses relatos como história natural, e é nessa condição que a figura interessa hoje: como documento de como o Atlântico Norte era imaginado.

Variantes e divergências entre fontes

  • A forma de cefalópode gigante é consolidação do século XIX, não das fontes escandinavas iniciais.
  • Alguns autores setecentistas o descrevem antes como criatura semelhante a caranguejo ou estrela-do-mar.
  • Textos nórdicos medievais descrevem criaturas comparáveis com nomes distintos, sem usar este termo.

Recepção posterior

Tornou-se o monstro marinho mais citado da cultura ocidental moderna e nome de uso corrente para qualquer criatura colossal do mar.

Fontes desta posição

  • Erik Pontoppidan, Det første Forsøg paa Norges naturlige Historie, Copenhague, 1752–1753. História natural setecentista; compila relatos orais.
  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.

8º lugar: Trolls

Também grafado troll e tröll

Nórdica TerrestreSubterrâneo Séc. XIII – XIX

Seres do folclore escandinavo ligados a montanhas, cavernas e pontes, cuja característica mais constante é a aversão à luz do dia.

Motivo da colocação

Termo medieval impreciso que só ganha contorno definido na coleta folclórica moderna, hoje associado a formações rochosas específicas da paisagem escandinava.

Origem e documentação

O termo aparece em textos medievais com sentido amplo e impreciso, e só ganha contorno definido nas coletas folclóricas dos séculos XVIII e XIX, especialmente na Noruega.

Narrativa principal

As narrativas típicas envolvem encontros noturnos em caminhos de montanha, cobrança de passagem em pontes e trollificação — a petrificação da criatura surpreendida pelo amanhecer. Formações rochosas específicas da Escandinávia são, até hoje, explicadas localmente por essas histórias.

Variantes e divergências entre fontes

  • O tamanho varia enormemente: de seres colossais a criaturas pequenas e ardilosas.
  • Na Islândia a tradição se aproxima das narrativas de trölls de montanha; na Noruega, das de floresta.
  • A ilustração do século XIX consolidou uma aparência visual que não vem das fontes medievais.

Fontes desta posição

  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Carol Rose, Giants, Monsters and Dragons: An Encyclopedia of Folklore, Legend and Myth, W. W. Norton, 2001.

9º lugar: Sleipnir

Nórdica TerrestreAéreo Séc. XIII (registro)

Cavalo de oito patas montado por Odin, capaz de atravessar os mundos, inclusive o dos mortos.

Motivo da colocação

Raro caso nórdico em que a criatura é montaria e não adversária, com possível atestação em pedras pictóricas anteriores aos textos que a descrevem.

Origem e documentação

As Eddas o apresentam como filho de Loki em forma de égua. Pedras pictóricas de Gotland, anteriores aos textos, mostram cavalos com patas múltiplas, o que dá à figura atestação iconográfica mais antiga que a textual.

Narrativa principal

Snorri narra que Sleipnir nasceu do episódio em que Loki, transformado, distraiu o cavalo de um construtor gigante. Odin o usa em viagens entre mundos, e em uma narrativa é ele que leva Hermod ao reino dos mortos para tentar o resgate de Baldr. É montaria, não adversário — exceção no repertório das criaturas nórdicas.

Variantes e divergências entre fontes

  • Interpretações das pedras de Gotland divergem quanto à identificação da figura.
  • A relação entre o número de patas e práticas rituais é objeto de hipóteses sem consenso.

Fontes desta posição

  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

10º lugar: Draugr

Também grafado haugbúi e morto do túmulo

Nórdica SubterrâneoTerrestre Séc. XIII (registro)

Morto que permanece ativo no túmulo, guardando seus bens e atacando quem se aproxima, figura recorrente nas sagas islandesas.

Motivo da colocação

As sagas tratam esses casos como ocorrências locais concretas, com soluções práticas e rituais que se aproximam de um direito costumeiro sobre sepulturas.

Origem e documentação

Diferentemente de outras criaturas nórdicas, aparece sobretudo nas sagas de contexto doméstico e local, em episódios apresentados como acontecimentos da comunidade, não como mitologia cósmica.

Narrativa principal

As sagas descrevem casos em que um morto de temperamento difícil continua a agir depois do sepultamento: adoece o gado, assombra a fazenda e enfrenta quem entra no túmulo. A solução narrada é sempre prática e ritual — decapitação, remoção do corpo, cremação —, o que aproxima esses relatos de um direito costumeiro sobre sepulturas.

Variantes e divergências entre fontes

  • Algumas sagas o descrevem com força sobre-humana e mudança de cor da pele.
  • Há variantes marítimas, com mortos que retornam de naufrágios.

Fontes desta posição

  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Saxo Grammaticus, Gesta Danorum, edição de Karsten Friis-Jensen, Oxford Medieval Texts, 2015. Dinamarca, c. 1200.

11º lugar: Níðhöggr

Também grafado Nidhogg

Nórdica Subterrâneo Séc. XIII (registro)

Criatura serpentina que rói as raízes da árvore do mundo e, nas fontes, aparece associada aos mortos.

Motivo da colocação

Representa erosão, não confronto: rói as raízes do mundo sem enfrentar ninguém. A ausência de episódio heroico é exatamente o que a torna singular.

Origem e documentação

Mencionada na Edda Poética em contexto cosmológico. Sua função é de desgaste contínuo: não combate ninguém, corrói a estrutura do mundo por baixo.

Narrativa principal

Enquanto um veado devora a copa e um esquilo leva ofensas entre o alto e o fundo da árvore, a criatura permanece nas raízes, roendo. A Völuspá a menciona ainda em associação com cadáveres, o que a liga ao domínio dos mortos. A ausência de episódio heroico é o traço distintivo: ela representa erosão, não confronto.

Variantes e divergências entre fontes

  • Fontes divergem sobre se é uma serpente entre muitas ou figura única.
  • A relação com o rio de facas descrito na Völuspá é objeto de interpretações distintas.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

12º lugar: Garmr

Também grafado Garm

Nórdica Subterrâneo Séc. XIII (registro)

Cão que uiva preso junto à entrada do mundo dos mortos e que, no Ragnarök, enfrenta o deus Týr.

Motivo da colocação

Guardião acorrentado à entrada do mundo dos mortos, peça central nas discussões de mitologia comparada sobre o cão de passagem, ainda sem consenso.

Origem e documentação

Mencionado em poemas eddicos como guardião acorrentado diante de uma caverna. Ocupa, no norte, a mesma posição estrutural de Cérbero no repertório grego.

Narrativa principal

Seu uivo é anunciado na Völuspá como sinal recorrente de que as amarras do mundo se romperão. No confronto final, ele e Týr se matam mutuamente. O paralelo com o cão guardião grego é discutido pelos estudos de mitologia comparada sem que haja consenso sobre dependência direta.

Variantes e divergências entre fontes

  • Parte da crítica identifica Garmr com Fenrir; outra parte os mantém distintos.
  • A localização exata da caverna varia entre os poemas.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
Quadro comparativo

Todas as notas em uma tabela

A mesma informação das posições acima, reunida para leitura rápida. A última coluna é a média ponderada pelos pesos declarados.

Notas por critério de cada posição do ranking
# Criatura Relevância Narrativas Influência Antiguidade Alcance Índice
Jörmungandr 10,0 9,5 9,5 8,5 7,5 92,3
Fenrir 10,0 9,5 9,0 8,5 7,0 90,8
Grendel 9,0 9,5 9,0 8,0 6,0 86,3
Fáfnir 9,0 9,0 9,0 8,0 7,0 86,0
Jötnar 9,5 9,0 8,0 8,5 6,5 85,8
Ymir 9,5 8,0 9,0 8,5 6,5 85,3
Kraken 9,5 7,0 9,5 5,5 8,5 79,8
Trolls 9,0 8,0 8,0 6,0 6,5 77,0
Sleipnir 8,5 7,0 7,5 8,5 6,0 76,8
10º Draugr 8,0 8,0 7,0 8,0 5,5 75,5
11º Níðhöggr 8,0 6,5 7,5 8,5 6,0 74,3
12º Garmr 7,5 6,5 7,0 8,5 5,5 71,5
Bibliografia

Fontes citadas neste ranking

Reunião de todas as obras indicadas nas posições acima. A lista completa do acervo está em fontes.

  • Anônimo, Beowulf, tradução de Seamus Heaney, Faber & Faber, 1999. Manuscrito Nowell Codex, séc. X–XI.
  • Anônimo, Edda Poética, The Poetic Edda, tradução de Carolyne Larrington, Oxford World’s Classics, 2014. Codex Regius, séc. XIII.
  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • British Library, Digitised Manuscripts, acervo digital, consulta contínua. Acervo
  • Carol Rose, Giants, Monsters and Dragons: An Encyclopedia of Folklore, Legend and Myth, W. W. Norton, 2001.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.
  • Erik Pontoppidan, Det første Forsøg paa Norges naturlige Historie, Copenhague, 1752–1753. História natural setecentista; compila relatos orais.
  • John Lindow, Norse Mythology: A Guide to Gods, Heroes, Rituals, and Beliefs, Oxford University Press, 2001.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • Saxo Grammaticus, Gesta Danorum, edição de Karsten Friis-Jensen, Oxford Medieval Texts, 2015. Dinamarca, c. 1200.
  • Snorri Sturluson, Edda em Prosa, The Prose Edda, tradução de Jesse L. Byock, Penguin Classics, 2005. Islândia, c. 1220.
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