Weird Sea Monsters Monstros Lendários

Monstros marinhos

Monstros presentes em relatos marítimos antigos

Criaturas que chegaram até nós dentro de textos escritos para informar quem navegava: tratados, crônicas, portulanos e histórias naturais.

12 posições Publicado em 4 de março de 2026 Revisado em 1 de setembro de 2026

Há uma diferença importante entre a criatura que aparece em um poema e a que aparece em um tratado dirigido a navegantes. A segunda foi registrada como informação: algo que se esperava encontrar, com recomendações sobre como reagir.

Este ranking avalia criaturas documentadas nesse segundo tipo de fonte — do Konungs skuggsjá norueguês às histórias naturais renascentistas e às cosmografias árabes. O valor histórico desses textos não está em descrever animais, e sim em preservar como o mar era compreendido por quem dependia dele.

Pesos deste ranking

Antiguidade dos registros
25%
Influência histórica
25%
Relevância cultural
20%
Alcance geográfico
15%
Presença nas narrativas
15%

A antiguidade dos registros e a influência histórica dominam, porque o que se avalia é a qualidade e o efeito do registro documental. A presença nas narrativas tem peso reduzido, já que muitas dessas criaturas aparecem em descrições, não em episódios.

Como as notas são calculadas

Leitura das notas: As notas são avaliações editoriais comparativas sobre a documentação disponível. Não são medições, não expressam tamanho, idade, força ou perigo, e não devem ser lidas como dados científicos.

As 12 posições

A ordem resulta das notas ponderadas. Em caso de empate, a posição mais alta fica com a criatura de registro mais antigo.

1º lugar: Aspidoquelone

Também grafado aspidochelone e a tartaruga-ilha

Europeia medieval Marítimo Séc. II – IV d.C.

Criatura marinha dos bestiários cujo dorso é tomado por ilha por navegantes, que ancoram sobre ela e afundam quando submerge.

Motivo da colocação

O motivo da falsa ilha aparece em textos gregos tardios, em bestiários latinos, em sagas islandesas e em relatos árabes, o que lhe dá distribuição rara e uma história de transmissão excepcionalmente rica.

Origem e documentação

Presente no Physiologus, compilação alexandrina de leitura moral dos animais, e depois em todos os grandes bestiários latinos. Recebe interpretação alegórica explícita: a ilha falsa representa a tentação que parece segura.

Narrativa principal

Os bestiários relatam que a criatura exala odor agradável para atrair peixes e que sua superfície acumula areia e vegetação até parecer terra firme. Marinheiros desembarcam, acendem fogo, e a criatura submerge. O motivo tem paralelos em sagas islandesas e em textos árabes, sem dependência comprovada entre eles.

Variantes e divergências entre fontes

  • Aparece como tartaruga, baleia ou peixe enorme segundo o manuscrito.
  • Narrativas hagiográficas irlandesas trazem episódios equivalentes.
  • Versões árabes situam o mesmo motivo em contexto de navegação no Índico.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Physiologus, tradução de Michael J. Curley, University of Chicago Press, 1979. Alexandria, séc. II–IV d.C..
  • Anônimo, Bestiário de Aberdeen (MS 24), University of Aberdeen, manuscrito digitalizado, c. 1200. Acervo
  • Anônimo, Bestiary: MS Bodley 764, tradução de Richard Barber, Boydell Press, 1993. Inglaterra, séc. XIII.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.

2º lugar: Serpente marinha da Carta Marina

Também grafado serpente do mar da Noruega e sea orm

Europeia medieval Marítimo Séc. XVI

Serpente enorme representada na cartografia de Olaus Magnus enrolando-se em torno de um navio, imagem fundadora do monstro marinho renascentista.

Motivo da colocação

Registrada em mapa e em obra descritiva por um autor que declarava suas fontes orais escandinavas, e depois copiada por toda a Europa. A influência sobre a cartografia posterior é documentada criatura por criatura.

Origem e documentação

Olaus Magnus, clérigo sueco exilado em Roma, publicou em 1539 um grande mapa do norte europeu povoado de criaturas marinhas e, em 1555, uma obra que as descreve em texto. Sua fonte declarada são relatos de pescadores e navegantes escandinavos.

Narrativa principal

O texto descreve uma serpente que surgiria diante da costa norueguesa em determinadas condições, atacando embarcações e sendo interpretada como presságio de mudanças políticas. A imagem da criatura enlaçando um navio foi copiada por cartógrafos e naturalistas por mais de dois séculos, tornando-se o modelo visual dominante do monstro marinho europeu.

Variantes e divergências entre fontes

  • Gessner e Aldrovandi reproduzem a figura com alterações, ampliando sua circulação.
  • A bibliografia recente identifica quais criaturas do mapa derivam de textos anteriores e quais parecem invenção do autor.

Recepção posterior

A Carta Marina é hoje objeto de estudo acadêmico dedicado, com bibliografia que rastreia criatura por criatura.

Fontes desta posição

  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.
  • Uppsala universitetsbibliotek, Coleções de cartografia histórica, acervo institucional, consulta contínua. Acervo

3º lugar: Kraken

Também grafado krake

Nórdica Marítimo Séc. XVIII (nome)

Criatura marinha colossal do imaginário escandinavo, descrita em relatos setecentistas como massa capaz de ser confundida com uma ilha.

Motivo da colocação

A história natural de Pontoppidan o registra a partir de relatos de pescadores noruegueses e o trata como espécie a ser descrita, caso exemplar de criatura que entra na bibliografia científica antes de virar figura literária.

Origem e documentação

O nome se firma na literatura no século XVIII, com a história natural do bispo Erik Pontoppidan, que compilou relatos de pescadores noruegueses. Antes disso, criaturas com traços semelhantes aparecem sob outros nomes em textos nórdicos medievais.

Narrativa principal

Os relatos compilados descrevem um corpo tão vasto que navegantes o tomariam por terra firme, ancorando sobre ele até que submergisse. Outro elemento recorrente é a abundância de peixes sobre a criatura, que atrairia embarcações. A obra de Pontoppidan tratava esses relatos como história natural, e é nessa condição que a figura interessa hoje: como documento de como o Atlântico Norte era imaginado.

Variantes e divergências entre fontes

  • A forma de cefalópode gigante é consolidação do século XIX, não das fontes escandinavas iniciais.
  • Alguns autores setecentistas o descrevem antes como criatura semelhante a caranguejo ou estrela-do-mar.
  • Textos nórdicos medievais descrevem criaturas comparáveis com nomes distintos, sem usar este termo.

Recepção posterior

Tornou-se o monstro marinho mais citado da cultura ocidental moderna e nome de uso corrente para qualquer criatura colossal do mar.

Fontes desta posição

  • Erik Pontoppidan, Det første Forsøg paa Norges naturlige Historie, Copenhague, 1752–1753. História natural setecentista; compila relatos orais.
  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.

4º lugar: Roc

Também grafado rukh e rokh

Irano-árabe Aéreo Séc. XIII – XIV

Ave de porte colossal dos relatos árabes de navegação, capaz de erguer grandes animais e associada a ilhas remotas do Índico.

Motivo da colocação

Colhida entre navegantes do Índico e fixada nas cosmografias árabes, é a principal criatura aérea dos relatos marítimos, associada a ilhas remotas e a episódios de naufrágio.

Origem e documentação

Circula nas cosmografias árabes e nos relatos de viagem do Índico, ambiente em que histórias sobre ilhas distantes eram recolhidas de marinheiros. A figura foi depois absorvida pela literatura europeia por meio de traduções.

Narrativa principal

Os relatos descrevem uma ave capaz de carregar um elefante e de lançar rochas contra embarcações, e narram episódios de náufragos que se amarram a suas patas para deixar ilhas desertas. Esses relatos são material literário e cosmográfico, e é como tal que interessam à história das ideias sobre o Índico.

Variantes e divergências entre fontes

  • O tamanho e o comportamento variam enormemente entre relatos.
  • Viajantes europeus posteriores associaram a figura a ilhas específicas do Índico.

Fontes desta posição

  • Zakariyā al-Qazwīnī, Kitāb ʿajāʾib al-makhlūqāt (Maravilhas da Criação), manuscritos ilustrados em acervos europeus e do Oriente Médio, séc. XIII.
  • Atribuído a John Mandeville, Livro das Maravilhas do Mundo, The Book of John Mandeville, edições críticas modernas, c. 1357. Relato de viagem compilado, de valor literário.

5º lugar: Hafgufa

Também grafado névoa do mar

Nórdica Marítimo Séc. XIII

Criatura marinha descrita no tratado norueguês Konungs skuggsjá como a maior de todas, cuja boca aberta seria tomada por estreito entre ilhas.

Motivo da colocação

Descrita em tratado do século XIII escrito para instruir a corte norueguesa, em registro informativo explícito. É o exemplo mais puro do gênero: criatura apresentada como dado útil sobre os mares da Groenlândia.

Origem e documentação

O Konungs skuggsjá, escrito por volta de 1250 como manual de instrução para a corte norueguesa, descreve as criaturas dos mares da Groenlândia em registro informativo. É uma das fontes medievais mais antigas e explícitas sobre monstros marinhos do Atlântico Norte.

Narrativa principal

O texto relata que a criatura permanece imóvel com a boca aberta, exalando um odor que atrai peixes em grande quantidade; quando a boca está cheia, fecha-se. Também afirma que existiriam apenas duas e que não se reproduziriam, o que o autor apresenta como explicação para a segurança da navegação.

Variantes e divergências entre fontes

  • Parte da bibliografia recente aproxima essa descrição do comportamento de alimentação de baleias, discussão que pertence à história natural, não à mitologia.
  • A criatura é às vezes tratada como precursora textual do kraken.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.

6º lugar: Bahamut

Também grafado Bahamūt

Irano-árabe Marítimo Séc. XIII

Peixe colossal da cosmografia árabe medieval que sustenta, em uma série de camadas, a estrutura do mundo.

Motivo da colocação

Registrada em cosmografia árabe medieval como peça de uma cadeia de sustentação do mundo, mostra como o repertório marítimo do Índico foi organizado em chave cosmológica erudita.

Origem e documentação

Descrito em obras de cosmografia que organizavam o cosmos em níveis sucessivos de sustentação. O nome tem relação com a palavra usada no corpus hebraico para a grande criatura terrestre, com deslocamento de sentido na transmissão.

Narrativa principal

A descrição encadeia os suportes do mundo: a terra sobre um anjo, o anjo sobre uma rocha, a rocha sobre um touro e o touro sobre o peixe, que nada em um oceano insondável. A cadeia comunica, com clareza deliberada, a ideia de escalas além da apreensão humana.

Variantes e divergências entre fontes

  • A sequência de sustentação varia entre autores.
  • A relação com o termo hebraico é discutida pelos especialistas.

Fontes desta posição

  • Zakariyā al-Qazwīnī, Kitāb ʿajāʾib al-makhlūqāt (Maravilhas da Criação), manuscritos ilustrados em acervos europeus e do Oriente Médio, séc. XIII.

7º lugar: Physeter

Também grafado prister e baleia sopradora

Europeia medieval Marítimo Séc. XVI

Criatura marinha das gravuras renascentistas que afundaria navios lançando colunas de água pelos orifícios da cabeça.

Motivo da colocação

Aparece nos tratados acompanhada de recomendações práticas — trompas, canhões — para afugentá-la, evidência direta de que essas obras eram lidas como manual e não como entretenimento.

Origem e documentação

Nome derivado do grego para "soprador", aplicado nos tratados renascentistas a criaturas que expelem água. Aqui a fronteira com o animal real é especialmente tênue, já que o comportamento descrito parte da observação de cetáceos.

Narrativa principal

As gravuras mostram a criatura erguida diante de um navio, inundando o casco com jatos verticais, enquanto tripulantes sopram trompas ou disparam canhões para afugentá-la. Os tratados prescrevem essas reações como medidas práticas, o que revela quanto esses livros eram lidos como informação útil e não como ficção.

Variantes e divergências entre fontes

  • O termo é usado em tratados distintos para criaturas com atributos diferentes.
  • Parte da bibliografia moderna vê nessas figuras representações estilizadas de cetáceos.

Fontes desta posição

  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Conrad Gessner, Historia animalium, Zurique, 1551–1558.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.

8º lugar: Monge do mar

Também grafado monstrum marinum monachi e peixe-monge

Europeia medieval Marítimo Séc. XVI

Criatura marinha descrita nos tratados do século XVI como corpo de peixe com aspecto de figura encapuzada, dita encontrada no Báltico.

Motivo da colocação

Um único relato dinamarquês de 1546 foi incorporado às maiores obras de história natural do século e reproduzido por décadas. É o melhor exemplo do peso da autoridade textual nesse período.

Origem e documentação

Relatada em 1546 na Dinamarca e incorporada em seguida às grandes obras de história natural do período, que reproduziram a mesma gravura com variações. É um dos casos mais estudados de criatura nascida de um único relato repetido por autoridade.

Narrativa principal

Os tratados descrevem o exemplar levado à corte dinamarquesa e discutem se seria peixe, presságio ou advertência divina. A discussão dos naturalistas é o ponto de interesse: eles debatiam classificação, não existência, o que mostra como funcionava a autoridade textual no século XVI.

Variantes e divergências entre fontes

  • A gravura muda de obra em obra, aproximando-se mais ou menos da figura humana.
  • Parte da bibliografia moderna propõe identificações com animais marinhos conhecidos, discussão que pertence à história da ciência.

Fontes desta posição

  • Guillaume Rondelet, Libri de piscibus marinis, Lyon, 1554.
  • Pierre Belon, L’histoire naturelle des estranges poissons marins, Paris, 1551.
  • Conrad Gessner, Historia animalium, Zurique, 1551–1558.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.

9º lugar: Lyngbakr

Também grafado dorso de urze

Nórdica Marítimo Séc. XIII – XIV

Criatura marinha descrita em saga islandesa como tão vasta que sua superfície coberta de vegetação era tomada por ilha.

Motivo da colocação

A saga islandesa fornece um episódio narrativo completo do motivo da falsa ilha, com desembarque e naufrágio, o que a torna documento útil apesar da circulação restrita.

Origem e documentação

Aparece na Örvar-Odds saga, do corpus das sagas lendárias islandesas. O motivo da falsa ilha é um dos mais estáveis da literatura marítima do Velho Mundo, com paralelos em textos irlandeses, árabes e gregos tardios.

Narrativa principal

Na saga, navegantes desembarcam no que parece ser uma ilha e acendem fogo; a massa submerge e os homens se perdem. A cena funciona como advertência: no mar, o próprio solo pode não ser confiável. O mesmo esquema aparece em outras tradições sem que se possa estabelecer dependência direta.

Variantes e divergências entre fontes

  • Textos irlandeses e árabes registram episódios análogos com outras criaturas.
  • Bestiários medievais atribuem o motivo à aspidoquelone, figura de tradição independente.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Örvar-Odds saga, saga lendária islandesa, edições do corpus fornaldarsögur, séc. XIII–XIV.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • Anônimo, Physiologus, tradução de Michael J. Curley, University of Chicago Press, 1979. Alexandria, séc. II–IV d.C..
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.

10º lugar: Margygr

Também grafado mulher do mar nórdica

Nórdica Marítimo Séc. XIII

Criatura marinha com parte superior feminina descrita em fontes nórdicas medievais, cuja aparição era interpretada como presságio de tempestade.

Motivo da colocação

Descrita no mesmo tratado norueguês do século XIII com função de presságio meteorológico, o que a insere diretamente na prática de leitura do mar por quem navegava.

Origem e documentação

Descrita no Konungs skuggsjá entre as criaturas dos mares da Groenlândia. Diferentemente da sereia mediterrânea, associada ao canto, aqui o traço central é o valor de presságio para a navegação.

Narrativa principal

O tratado relata que sua aparição indicaria mudança de tempo e que o modo como a criatura se movia após emergir seria lido como sinal favorável ou adverso pelos marinheiros. A criatura funciona, no texto, menos como ameaça física do que como instrumento de leitura do mar.

Variantes e divergências entre fontes

  • Olaus Magnus registra figuras semelhantes na Carta Marina e na Historia, já em chave renascentista.
  • O folclore escandinavo posterior mantém figuras femininas do mar com atributos variáveis.

Fontes desta posição

  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.

11º lugar: Ziphius

Também grafado coruja-do-mar e peixe-espada monstruoso

Europeia medieval Marítimo Séc. XVI

Criatura marinha das gravuras renascentistas, de cabeça semelhante a de coruja e mandíbula capaz de partir embarcações.

Motivo da colocação

Existe quase inteiramente como imagem copiada de obra em obra, com texto parafraseado a cada edição. Documenta o mecanismo de reprodução bibliográfica melhor do que qualquer outra criatura da lista.

Origem e documentação

Figura no repertório de Olaus Magnus e é depois reproduzida em obras de história natural do século XVI. Sua descrição mistura elementos de animais marinhos conhecidos com traços fantásticos, prática comum nesses tratados.

Narrativa principal

As gravuras a mostram atacando um navio ou devorando uma foca, cena que se repete com poucas variações de obra em obra. O caso ilustra bem o mecanismo de transmissão desses tratados: a imagem é copiada, o texto é parafraseado e a criatura ganha existência bibliográfica estável sem nenhuma observação nova.

Variantes e divergências entre fontes

  • O nome aparece grafado de várias formas nas edições latinas.
  • Certas gravuras acrescentam chifres ou alteram a forma da cabeça.

Fontes desta posição

  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Conrad Gessner, Historia animalium, Zurique, 1551–1558.
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.

12º lugar: Rosmarus

Também grafado morsa monstruosa das gravuras

Europeia medieval Marítimo Séc. XVI

Criatura marinha das gravuras nórdicas representada escalando penhascos com presas enormes, versão monstruosa da morsa.

Motivo da colocação

Caso claro de animal existente que ingressa nos tratados já transformado em criatura fabulosa, com exageros que aumentam a cada nova gravura. Útil justamente por documentar esse processo.

Origem e documentação

Olaus Magnus descreve e ilustra o animal com base em relatos do extremo norte, exagerando proporções e comportamento. É exemplo claro de como um animal existente podia ingressar nos tratados já transformado em criatura fabulosa.

Narrativa principal

O texto relata que a criatura subiria penhascos apoiando-se nas presas para dormir no alto, e que caçadores a surpreenderiam nesse repouso. A cena foi reproduzida por gravadores de várias nacionalidades, cada um acrescentando alterações, até que a figura se afastasse completamente do animal de partida.

Variantes e divergências entre fontes

  • Gravuras posteriores exageram progressivamente as presas e a expressão facial.
  • O nome latino é usado em obras diferentes com sentidos não coincidentes.

Fontes desta posição

  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Conrad Gessner, Historia animalium, Zurique, 1551–1558.
  • Biodiversity Heritage Library, Acervo de história natural digitalizada, consórcio de bibliotecas, consulta contínua. Acervo
Quadro comparativo

Todas as notas em uma tabela

A mesma informação das posições acima, reunida para leitura rápida. A última coluna é a média ponderada pelos pesos declarados.

Notas por critério de cada posição do ranking
# Criatura Antiguidade Influência Relevância Alcance Narrativas Índice
Aspidoquelone 9,0 9,0 7,5 8,0 7,0 82,5
Serpente marinha da Carta Marina 7,0 9,5 8,0 7,5 6,5 78,3
Kraken 6,0 9,0 9,0 8,0 6,5 77,3
Roc 7,0 7,0 7,5 7,0 6,5 70,3
Hafgufa 8,5 8,0 6,5 5,0 5,5 70,0
Bahamut 7,0 7,5 7,0 7,0 4,5 67,5
Physeter 7,0 7,5 6,0 6,0 5,5 65,5
Monge do mar 6,5 8,5 6,0 6,0 4,5 65,3
Lyngbakr 7,5 6,5 5,5 4,5 7,0 63,3
10º Margygr 8,0 6,0 5,5 4,5 5,0 60,3
11º Ziphius 6,5 7,0 5,0 5,5 4,5 58,8
12º Rosmarus 6,5 6,5 5,0 5,0 4,0 56,0
Bibliografia

Fontes citadas neste ranking

Reunião de todas as obras indicadas nas posições acima. A lista completa do acervo está em fontes.

  • Anônimo, Bestiary: MS Bodley 764, tradução de Richard Barber, Boydell Press, 1993. Inglaterra, séc. XIII.
  • Anônimo, Bestiário de Aberdeen (MS 24), University of Aberdeen, manuscrito digitalizado, c. 1200. Acervo
  • Anônimo, Konungs skuggsjá (O Espelho do Rei), The King’s Mirror, tradução de Laurence M. Larson, American-Scandinavian Foundation, 1917. Noruega, c. 1250.
  • Anônimo, Physiologus, tradução de Michael J. Curley, University of Chicago Press, 1979. Alexandria, séc. II–IV d.C..
  • Anônimo, Örvar-Odds saga, saga lendária islandesa, edições do corpus fornaldarsögur, séc. XIII–XIV.
  • Atribuído a John Mandeville, Livro das Maravilhas do Mundo, The Book of John Mandeville, edições críticas modernas, c. 1357. Relato de viagem compilado, de valor literário.
  • Biodiversity Heritage Library, Acervo de história natural digitalizada, consórcio de bibliotecas, consulta contínua. Acervo
  • Chet Van Duzer, Sea Monsters on Medieval and Renaissance Maps, British Library, 2013.
  • Conrad Gessner, Historia animalium, Zurique, 1551–1558.
  • Erik Pontoppidan, Det første Forsøg paa Norges naturlige Historie, Copenhague, 1752–1753. História natural setecentista; compila relatos orais.
  • Guillaume Rondelet, Libri de piscibus marinis, Lyon, 1554.
  • Joseph Nigg, Sea Monsters: A Voyage around the World’s Most Beguiling Map, University of Chicago Press, 2013.
  • Olaus Magnus, Carta Marina, mapa impresso em Veneza; exemplares na Biblioteca da Universidade de Uppsala, 1539.
  • Olaus Magnus, Historia de gentibus septentrionalibus, Roma, 1555.
  • Pierre Belon, L’histoire naturelle des estranges poissons marins, Paris, 1551.
  • Rudolf Simek, Dictionary of Northern Mythology, D. S. Brewer, 1993.
  • Uppsala universitetsbibliotek, Coleções de cartografia histórica, acervo institucional, consulta contínua. Acervo
  • Zakariyā al-Qazwīnī, Kitāb ʿajāʾib al-makhlūqāt (Maravilhas da Criação), manuscritos ilustrados em acervos europeus e do Oriente Médio, séc. XIII.
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