1º lugar: Simurgh
Também grafado Senmurv e Simorgh
Irano-árabe Aéreo Séc. VI a.C. – XI d.C.
Ave colossal e sábia da tradição iraniana, protetora de heróis e associada à cura e ao conhecimento.
Motivo da colocação
A criatura mais bem documentada da tradição e a mais atípica do acervo: protege, cura e aconselha ao longo de várias gerações da épica, e a poesia mística posterior a converte em imagem da busca espiritual.
Origem e documentação
Presente na tradição zoroastriana e depois central no Shahnameh, a grande épica persa concluída por volta do ano 1010. Sua iconografia aparece em prataria sassânida e em manuscritos ilustrados posteriores.
Narrativa principal
No Shahnameh, cria e protege uma criança abandonada nas montanhas, que se torna herói, e entrega-lhe uma pena a ser queimada em caso de necessidade. Mais tarde, atende ao chamado e orienta um parto difícil e a cura de ferimentos. É criatura auxiliar, não adversária — traço que a distingue no repertório do Velho Mundo.
Variantes e divergências entre fontes
- A tradição zoroastriana e a épica persa apresentam atributos distintos.
- A poesia mística persa a usa como imagem do objeto último da busca espiritual.
- A iconografia sassânida a representa com traços de mamífero, diferente das versões posteriores.
Fontes desta posição
- , Shahnameh (O Livro dos Reis), tradução de Dick Davis, Penguin Classics, 2006. Irã, c. 1010.
- , Avesta, tradução de James Darmesteter, Sacred Books of the East, Oxford, 1880–1887. Corpus zoroastriano.
- , Bundahishn, compilação zoroastriana em pálavi, edições modernas, séc. IX (redação).
- , The Met Collection (Open Access), acervo digital, consulta contínua. Acervo