1º lugar: Apep
Também grafado Apófis e Apophis
Egípcia SubterrâneoÁguas interiores II milênio a.C.
Serpente colossal que ameaça a barca solar em sua travessia noturna, adversária permanente da ordem cósmica egípcia.
Motivo da colocação
A serpente com o registro contínuo mais longo do continente, presente em textos funerários e rituais de templo por quase dois milênios.
Origem e documentação
Presente em textos funerários do Reino Médio em diante e em rituais de templo destinados a enfraquecê-la. Sua característica mais notável é a permanência: nunca é definitivamente destruída, apenas repelida a cada noite.
Narrativa principal
A cada noite, enquanto o sol atravessa o mundo inferior, a serpente tenta deter a barca engolindo as águas ou bloqueando a passagem. Divindades e mortos justificados participam da defesa, e o combate se repete indefinidamente. Papiros rituais prescrevem fórmulas e atos simbólicos para auxiliar essa contenção.
Variantes e divergências entre fontes
- Vinhetas de papiros mostram a serpente atravessada por facas ou contida por cordas.
- Alguns textos a associam à origem das tempestades de areia e dos eclipses.
Recepção posterior
É uma das mais antigas formulações da ideia de adversário cósmico que retorna sempre, sem derrota final.
Fontes desta posição
- , O Livro dos Mortos do Antigo Egito, The Ancient Egyptian Book of the Dead, tradução de Raymond O. Faulkner, British Museum Press, 1985. Compilações do Novo Império.
- , Handbook of Egyptian Mythology, ABC-CLIO, 2002.
- , The Complete Gods and Goddesses of Ancient Egypt, Thames & Hudson, 2003.
- , Collection online, acervo digital, consulta contínua. Acervo